02-Geração National Kid

Aos cinco anos de idade eu descobri a alegria de ter uma televisão em casa. Embora fosse apenas um televisor com baixa resolução e em preto e branco, todas as minhas tardes infantis ficaram mais coloridas com programas como UNI-DUNI-TÊ, apresentado pela “Tia Fernanda” na TV Globo (recém-inaugurada), National Kid, Capitão Furacão (com a Elisangela) entre outros. Mesmo os desenhos, que na época muitos não eram dublados e nem legendados eram o indicativo do quanto à tecnologia podia mudar rotinas e consequentemente a vida de uma criança. Nessa época já se discutia os “malefícios” da tecnologia. Ver TV demais deixava as crianças burras, cegas ou coisa pior, diziam a maioria dos adultos.


Muitos anos depois, já na faculdade de Engenharia, me deparei com o preconceito tecnológico mais uma vez ao descobrir que minha novíssima calculadora Texas-TI programável concorrente da HP-12C eram terminantemente proibidas de uso em aulas, e que isso se estendia até mesmo as velhas calculadoras de quatro operações simples, pois prejudicavam aos alunos ao invés de ajudá-los (quanta idiotice).


Depois vieram os vídeo games, eu já um adolescente fui fascinado pelo Atari. Também havia criticas quanto ao seu uso em relação a tecnologia.


Atualmente vejo adultos que não cresceram com a tecnologia se torturarem com críticas referentes ao uso de celulares e demais eletrônicos com relação a crianças. Devem usar? Por quanto tempo? Com que idade? Como traçar limites?

Você se imagina vivendo sem televisão, máquinas que lavam, esquentam, passam ou aspirem? Não vivemos na idade média por uma razão: Evolução. E isso se estende a tecnologia de forma direta. Nossas crianças já nasceram em tempos de tecnologia massiva (geração Z), conhecem o celular, a Internet juntamente com os pais na hora do nascimento, quando tudo não somente é filmado, mas também transmitido ao vivo aos parentes e amigos ansiosos não somente nas salas de espera, mas em qualquer lugar do mundo.


Tentar frear a curiosidade das crianças é tarefa árdua para pais ansiosos, mas para isso existem programas e profissionais que podem orientar até onde eles podem explorar. O importante é saber separar o que é “realmente” prejudicial e o que é o processo evolutivo natural do ser humano. Afinal, o que hoje são computadores de mão que um dia já foram telas redondas em tons de cinza que faziam a alegria de muitas crianças.


Aos pais ansiosos com a tecnologia versus curiosidade infantil, temos um recadinho da geração National Kid ou Coca-Cola: Estamos bem, obrigado.


Água demais também mata planta, desde que não seja aquática ou de deserto. Tudo deve ser dosado, mas não retirado ou proibido.


OK.


FELIX MELO.

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