05-Chega de brincar, vamos trabalhar e ganhar dinheiro.

Chega de brincar, vamos trabalhar e ganhar dinheiro!

Em 1989 com o setor Naval em crise, fui convidado por um ex-chefe de um grande estaleiro, considerado o mestre dos mestres, a fazer um treinamento para ser instrutor de AutoCAD. Ele era diretor em uma grande empresa de consultoria e treinamento em AutoCAD básico, avançado e programação Autolisp em turmas de no máximo 10 alunos. Lembrando que em 1989 esse era um curso bastante caro, pois o equipamento (micro) e o programa não tinham um preço acessível, tudo custava uma pequena fortuna, apenas grandes empresas investiam em cursos como esse treinando profissionais que mais tarde seriam supervalorizados no mercado. Com o crescimento massivo da tecnologia e a acessibilidade de valores nos anos seguintes muitos profissionais de várias áreas ligadas a projetos passaram a buscar por conta própria este curso s com o intuito de gerar melhor produtividade e competitividade no mercado.

Mas a realidade em 1989 ainda era arcaica, e na verdade nem todos os profissionais que eram designados a fazer o curso entendiam o real sentido do que estavam fazendo, exemplo disso foi um grande arquiteto que participou em uma das turmas. Dono de um grande escritório de arquitetura, ao final de cada aula, ele recolhia suas coisas apressadamente e ao passar por mim dizia em tom de ironia: “Chega de brincar, vou agora trabalhar para ganhar dinheiro.”

A frase do meu aluno arquiteto vinha de um pensamento bastante antiquado onde muitos profissionais, contando alguns ligados à tecnologia, de que a tecnologia demoraria muito até substituir quase que por completo o trabalho manual (a prancheta).

Na época eu não respondia a brincadeira em tom irônico, até porque já havia convivido e muito com a resistência as mudanças e aprendi que o tempo mostraria se o AutoCAD substituiria ou não as pranchetas, até porque os valores de equipamento e programa, além de um profissional treinado eram bastante proibitivos a não ser para grandes empresas já consolidadas e abertas a um futuro tecnológico.

Muitos anos depois, ao entrar em um elevador reencontrei meu ex-aluno (Já um arquiteto bastante renomado), e naqueles poucos minutos ele me contou que já estava com 5 micros com Cadistas (operadores de AutoCAD) e apenas uma prancheta no escritório, prancheta que ele disse que já vinha pensando em aposentar por ocupar muito espaço.

O meu andar chegou antes que eu pudesse dar resposta ao meu ex-aluno, então me despedi com apenas um sorriso e fui trabalhar, para ganhar dinheiro, é claro. Afinal, eram os anos 90, e a tecnologia vinha com tudo e eu não tinha nada contra ela, como o é até hoje.

OK.

FELIX MELO.



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